Na Praia

segunda-feira, 31 de março de 2008

Fim de tarde, momentos antes do pôr-do-sol, areia nos pés, as ondas calmas no imenso mar azul, amigos, Coca-Cola na lata, pessoas indo e vindo, turistas, calçadão, avenida, carros, movimento. O vento assanha os meus cabelos, risos, conversa fiada e sem preocupação, sensação de liberdade, bermuda, camiseta de cor clara, carrego os meus chinelos na mão. Câmeras digitais, fotos, celular tocando no bolso de trás, tapioca no restaurante e bons momentos que são eternos enquanto duram.

Manhã de Domingo

quinta-feira, 20 de março de 2008

Me levanto da cama
e piso no chão gelado
coço o saco.
Vou ao jardim
com cara de chapado e cabelo bagunçado.
Olho para o céu azul
e me pergunto se o amanhã será nublado
como o sábado já passado.
Mas é claro que eu não obtive resposta
pois só um drogado
espera respostas de um céu ensolarado.

Madrugadeando

domingo, 9 de março de 2008

E o fim de semana começa, são as primeiras horas de um sábado. O sono, a televisão ligada na sala e eu escutando blues com os fones no ouvido, os olhos estão pesados e uma garrafa de água gelada refresca a minha garganta. O grafite 0.5 mm faz companhia à minha mão direita que freneticamente rabisca palavras sem sentido em um papel amassado.
A minha cama, eu deitado, o teto acima de mim. Enrolo um chumaço do meu cabelo com a ponta dos dedos. A luz acesa parece iluminar o meu espírito. Busco na minha mente algumas lembranças da semana, vasculhando pensamento por pensamento, como um lobo faminto farejando à sua caça. Desisto da procura e chego a conclusão de que não sei se tive um boa ou uma péssima semana. Apenas estou com sono e um pouco cansado.

Uma Tarde de Tédio Antes do Fim das Férias

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Verão, tarde quente e abafada. Estou só em casa, esparramado no sofá da sala vendo o tempo passar lentamente enquanto a luz do Sol entra pelas janelas e é refletida nos vidros do ambiente, criando sombras e luzes.
Não há nada para se fazer. A programação da Tv não me atrai, estou sem vontade de ler livros ou revistas e as músicas do meu mp3 não parecem tão boas como sempre foram.
Me lavanto do sofá e caminho sem pressa até a cozinha, abro a geladeira e pego uma garrafa de água, despejo o conteúdo dela em um copo cheio de gelo e retorno à sala, paro por alguns minutos em frente a televisão e encaro o meu reflexo no monitor desligado como um ato desesperado de quem não tem o que fazer.
Estou de volta ao sofá, olho a hora no celular. Me levanto e vejo a paisagem lá fora pela janela, o céu está alaranjado. O fim da tarde se aproxima.
Vou ao banheiro e tomo um refrescante banho, me visto e vou ao jardim para ver o Sol se pondo no horizonte.
Finda-se assim mais um tarde tediosa, uma das últimas antes das férias acabarem e do novo ano letivo começar na próxima segunda dia 28 de Janeiro.

Lego e o Determinismo

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008


Dizem que o homem é produto do meio, segundo a linha de pensamento determinista. Com base neste enunciado começo a pensar que isto tem um certo fundo de verdade.
Vejamos um exemplo, uma pessoa que nasce na favela em meio ao tráfico de drogas e da criminalidade. Esta pessoa tem uma certa predisposição a seguir o caminho da marginalidade, mas em vez disso ela segue o caminho dos estudos e consegue fazer fama e dinheiro de forma lícita. Muitos poderiam afirmar que este caso fugiria à regra do determinismo, mas não. Esta pessoa foi produto do meio que existiu, pois vendo o caos e a desordem causada pelo tráfico de drogas em sua comunidade, a fez pensar em seguir por outro caminho e a deu forças para que isto acontecesse, não fugindo assim da tese determinista.
Pretendo prestar vestibular para arquitetura e também para design, acho que o que me colocou no caminho desta escolha foi o fato de que o Lego era um dos meus brinquedos favoritos quando eu era criança.
Enfim, brincar de lego na infância pode te transformar em um arquiteto em potencial, ou não.

Briga de Criança

sábado, 5 de janeiro de 2008


Início de noite. 6 amigos conversam na esquina, o mais velho tem 21 e os demais não passam dos 16. Conversa calma e cheia de risos, comentando o cotidiano semanal de cada um. Um vento frio passa vagarosamente por todos enquanto os assuntos mais dos variados se desenrolam.
Os dois mais novos de 12 e 14 anos mantinham uma conversa paralela enquanto rolavam no chão uma bola. Por motivos quase sem importância os dois se desentendem e começam com um festival de socos e pontapés regados com demasiados palavrões. Eles se estapeiam pela rua enquanto outros três que estavam conversando partem para separar a briga. O segundo mais velho, o de 16, fala como se fosse o general em comando em uma guerra e diz para eles não pararem a briga. Os pacificadores questionam o pedido. Falam que deixar eles se agredindo não é a coisa certa a se fazer. O de 16 anos responde calmamente, que a briga que está acontecendo é benéfica para ambos os lutadores mirins, que não é apenas uma luta física e sim mental. Afirma veementemente que todos aqueles golpes trocados moldarão os seus espíritos e os formarão para o futuro, e terão algum episódio para lembrar.
Os quatro se sentam de novo na calçada e assistem o fim da briga, que logo acaba. No fim da noite os jovens esquentadinhos já haviam feito as pazes e tudo voltara ao normal.


Um Certo Suicídio

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

Ele tinha uma vida estável e feliz, era um bom homem. Sua empresa de consultoria empresarial, construída com muito esforço junto com a sua esposa que conhecera na universidade, fazia sucesso no mercado. Sua linda filha estava no jardim de infância e encantava o casal, com as suas primeiras palavras escritas. Muito ligado com a sua mãe, que o havia apoiado muito alguns anos antes com a morte de seu pai, ela era uma espécie de porto seguro para ele. Estas três mulheres faziam da vida dele uma total maravilha, sempre o auxiliando e o completando.
Porém fatalidades tendem a acontecer, e de uma vez só o tripé feminino que o sustentava foi arrancado dele de uma forma brusca e violenta em um trágico acidente de carro, que fatalmente vitimou as três mulheres.
Desconsolado e sem ter em quem se apoiar, o triste homem entrou em uma profunda depressão. À cada dia que passava ele se afastava mais da sua empresa, para passar mais tempo trancado em seu apartamento que o lembrava dolorosamente da família que havia perdido. De forma desesperada, toma uma decisão importante, talvez a mais importante da sua vida. Resolve se matar para fugir dos problemas que tanto o atormentam. Primeiro, pensa em uma forma que seja rápida e indolor, e na sua cabeça vem a imagem de um revólver. Um tiro na cabeça, será a sua passagem para fora desse mar de dor e desespero.
Os preparativos para o seu final começam lentamente, como um ritual. O decidido e desesperado homem, toma um demorado banho, tal como se fosse a sua purificação. Sai do banheiro para o seu quarto, onde veste uma calça branca de algodão, e parte para a cozinha, onde bebe uma generosa dose de seu uísque mais caro, que guardava apenas para ocasiões especiais. Liga o seu sistema de som para escutar música, e põe para tocar um pouco de blues. Sentado no sofá da sala, acende um cigarro e espera a hora certa para o fim. Retorna ao seu quarto, beija uma foto em que estavam ele e as suas amadas. Abre a última gaveta, e pega uma caixa preta forrada de veludo, abre o recipiente e pega o seu conteúdo, é uma arma. Retorna à sua sala-de-estar, e se ajoelha no centro dela, ergue o revólver e o aponta para a cabeça. Tremendo, ele põe o dedo no gatilho e sem pensar duas vezes o puxa, o barulho estridente do tiro leva embora a sua vida e também as suas mágoas e tristezas, como um poderoso remédio de efeito colateral fatal.

23:59

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

O dia sóbrio está prestes a acabar, as nuvens encobrem as estrelas, a Lua que timidamente ilumina o céu escuro. A luz do meu quarto está acesa, a televisão está ligada e o sentimento de solidão me faz companhia. O café que eu tomara há algumas horas repreende o meu sono e me faz pensar em muitas coisas frustrantes e sem graça que eu já deveria ter esquecido.
Um triste jazz ecoa pela minha cabeça, intensificando o sentimento de solidão. O tic-tac do meu relógio de pulso debruçado sobre a mesa do computador quebra o silêncio noturno juntamente com os latidos dos cães domésticos espalhados pelos quarteirões.
A noite está quente, o vento não sopra. O rosto sempre sorridente dela povoa os meus pensamentos enquanto uma suave brisa adentra o meu quarto pela janela aberta. Troco repetidas vezes de canal, mas a programação não me cativa.
O sono não vem, o que vem no seu lugar é uma rajada de pensamentos sobre como gastar o tempo ocioso das férias e sobre como aproveitar uma nova oportunidade que se abriu para mim.
Agora já passa da meia noite, e eu estou aqui perdido no meu próprio quarto, afogado nos meus pensamentos e dilemas, enquanto outras pessoas dormem tranqüilamente.

Vida

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007


A vida é sem dúvida alguma a maior sala de aula de todas, com todos os acontecimentos e fatos ocorridos no seu desenrolar tiramos sempre algum ensinamento dela, quase sempre aprendendo com as frustrações, que por sinal não são poucas.
Nesta grande sala de aula onde os nossos sentimentos são disciplinas à serem estudadas e as experiências e acontecimentos são professores, não se tem a exigência de exercícios escritos propriamente ditos, as aulas são práticas, com provas às vezes fáceis e muitas vezes difíceis, sempre tendo direito à recuperação, embora muitos não passem, porém nunca se tem o privilégio de se fazer reposição, pois a vida não volta atrás por mais que você deseje.
Quanto aos colegas de sala temos apenas todos ao nosso redor, desde o seu melhor amigo até o mendigo que te pediu esmola quinze dias atrás. São essas pessoas que na maioria das vezes vão influenciar nas nossas atitudes e escolhas.
É assim que é na vida, "vivendo e aprendendo".

Fábula Sobre Coelhos e Carros

sexta-feira, 2 de novembro de 2007


Bunny C. era um coelho muito legal, conhecido por todos na sua escola por sua fama de bom aluno e por ser amigo de todos. Porém toda a popularidade que possuia não acabava com a sua timidez com as fêmeas, principalmente com a sua amada Coelhete, a coelha mais linda e popular de sua escola.
O tempo passa e o sentimento de Bunny C. só aumenta. Coelhete já desconfiava dos sentimentos do coelhinho, mas não dava nenhuma importância pois ela nunca tinha ido com a cara de Bunny C., ela sempre o via como um nerd bonachão inútil.
Como um bom aluno que sempre foi, Bunny C. passou em primeiro lugar no concorridíssimo vestibular de medicina da respeitada Universidade de Coelhocity. Como recompensa pelo seu mérito, ganhou do seu rico pai um Lamborghini Gallardo Spyder, um caro porém muito estiloso automóvel.
Bunny C. passeava todos os dias pelas ruas do seu bairro com o a capota do seu carro levantada, fazendo todas as fêmeas suspirarem e caírem às suas patas, inclusive a sua amada Coelhete, que agora estava perdidamente apaixonada por ele. À partir de então Bunny C. e Coelhete começaram a namorar e viveram felizes para sempre.


Moral da História: não importa quem você é, o que realmente importa é no que você anda.

Político

quarta-feira, 24 de outubro de 2007


Na teoria deveria ser o indivíduo que se dedica à política, em especial no desempenho de cargo eletivo.
Na prática, é um indivíduo bem trajado, geralmente de terno e gravata, que costuma desviar e roubar o dinheiro público, tal ente referido povoa manchetes de jornais e revistas com alguns de seus escândalos sendo revelados, às vezes envolvendo vacas super-faturadas e jornalistas posando nuas como vieram ao mundo em revistas masculinas e outras vezes conspirações mirabolantes de ambulâncias sendo vendidas e gordas mesadas distribuídas. Esses seres apresentam um vocábulo bastante rico, mostrando que prestavam bastante atenção nas aulas de gramática, gostam de utilizar em seus discursos e entrevistas palavras pomposas e difíceis, não sei se é para que o povo não entenda o que eles realmente falam, ou se é para manter o decoro parlamentar, se é que algum dia isso existiu.


Cidade

segunda-feira, 1 de outubro de 2007




A grande cidade pulsa, barulhenta, cheia de pessoas caminhando apressadamente por todos os lados. Trabalhadores, estudantes, desocupados e outros tipos de pessoas dão vida ao local. Os automóveis e pedestres tumultuam as ruas e avenidas. Os graffitis rabiscados nas paredes juntamente com os anúncios nos outdoors tornam o ambiente mais colorido. O céu cinzento torna a paisagem mais séria. O tempo passa, e uma chuva rápida e fina cai, beijando e refrescando o asfalto quente. O Sol se põe entre os prédios de arquitetura arrojada, e que tanto dão a impressão do progresso humano.
A noite cai, trabalhadores e estudantes enchem pontos de ônibus e estações de metrô desejando intensamente voltar para seus lares. O engarrafamento alcança 3 quilômetros, aborrecendo e estressando todos.
Bares e restaurantes lotam, o neon dos anúncios dá vida à noite que para muitos é apenas uma criança e para outros somente algumas horas de descanso.
Finda-se mais um dia, e começa outro não menos diferente na cidade.

Caso Fosse um Epitáfio

sexta-feira, 28 de setembro de 2007


Nunca amado, jamais esquecido.
Eu andava por aí tranqüilo, quase nunca aborrecido.
Já tinha consciência de como havia vivido
Neste titânico sistema falido.

De nada adiantou todo o conhecimento adquirido,
pois sabia que havia me perdido.

Não partirei triste ou aflito,
apenas um pouco ferido,
mas com o espírito intacto e de queixo erguido.

Crepúsculo

sábado, 18 de agosto de 2007


As lâminas de luzes douradas encerram mais um dia, dia esse que nunca mais irá se repetir. A luminosidade leva consigo as lembranças, sabores, cheiros, imagens, dores, alegrias e todas as experiências vividas em um dia, que nunca mais voltará, por melhor ou pior que ele tenha sido, nunca mais irá voltar.

Volta às Aulas

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

O dia amanhece de uma forma assustadoramente rápida. Os raios de Sol penetram pela janela enquanto o despertador do celular soa intensamente. Acordo de um sono pesado às 05:50 da manhã, me arrasto do quarto até o banheiro, onde tomo um banho frio que parece congelar a minha alma. Saio do banheiro um pouco mais disposto do que quando entrei, até agora nenhum pensamento havia passado pela minha cabeça.
Retorno ao quarto, escolho uma roupa diferente - não irei usar o uniforme no primeiro dia de aula do segundo semestre - e calço o meu tênis surrado que parecia me implorar para ser usado. Me olho no espelho, não reconheço a figura refletida, talvez seja o meu pior inimigo... Olho de novo e o reconheço, sou eu, com o cabelo bastante molhado e bagunçado, arrumo-o e vou para a mesa saborear a minha refeição matinal, mastigo lentamente. Olho o relógio e vejo que já é hora de sair, escovo os dentes apressadamente, cato a mochila e as as canetas do lado do computador, pego o MP3 na gaveta e os óculos escuros, a claridade lá fora parece tentar me cegar. Escuto uma voz chamar pelo meu nome lá fora, é um amigo. Me despeço da minha mãe e abro a porta, estou saindo.
Vou caminhando com o amigo enquanto conversamos sobre os mais variados assuntos, de programas de Tv até o mau desempenho de Flamengo - nosso time do coração. Ele vai em direção à sua escola enquanto eu caminho por mais duas quadras e chego ao meu destino bem em cima do primeiro toque.
Olho em todas as direções e vejo os mesmos rostos do primeiro semestre, só que agora demonstram um certo entusiasmo ao se encontrarem com os colegas, como se passassem uma eternidade separados. Disparo alguns cumprimentos, entro na sala e me sento ao fundo dela, do lado esquerdo e encostado na parede com o ar-condicionado soprando no meu pescoço enquanto espero algum professor entrar pela porta e começar um enfadonho dia de aula, o primeiro do segundo semestre